Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas para um dia dar certo.

Caio Fernando Abreu.  (via ultimosonho)

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Não me leve a mal. Comigo é tudo meio sem querer. Não tenho a intenção de estar distante, mas quando percebo já estou longe à muito tempo.

Sean Wilhelm. (via ultimosonho)

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Se não chover nem ventar,
se a lua e o sol foram limpos
e houver festa pelo mar
- ir-te-ei visitar.

Se o chão se cobrir de flor,
e o endereço estiver claro,
e o mundo livre de dor
- ir-te ei ver, amor.

Se o tempo não tiver fim,
se a terra e o céu se encontrarem
à porta do teu jardim
- espera por mim.

Cantarei minha canção
com violas de eternamente
que são de alma e em alma estão.
- De outro modo, não.

Cecília Meireles (via trechosdaliteratura)

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Dizia o outro amigo, o igual poeta, que ver um verso é ver o inverso das coisas ruins. Esse mesmo amigo me levava todas as tardes para o centro de uma praça, me sentava em um banco, ia comprar pipoca e trazia sempre o troco certinho. Ele costumava apontar as crianças brincando e chiar quando eu dizia que não entendia a graça de ficar correndo, se escondendo, empinando pipa, essas coisas que crianças fazem quando não estão entediadas. Era ignorância minha, eu era, ele também dizia, um jovem de alma idosa, dizia que às vezes isso era ruim e depois falava de todos os motivos. Primeiro porque me fazia não ter amigos da minha idade, mas sempre ser íntimo de pessoas que nem recordam quando estiveram na puberdade. Depois porque me fazia ser incoerente quanto às minhas escolhas, eu não vivia o momento, mas o depois. Ele me recriminava sobre isso e eu dizia que não fazia sentido. Era isso até uma seis e meia, finalmente amassava o papel com pipocas e pegava o troco que para comprar algumas bebidas. Chave na ignição, motor ligado, carro na velocidade permitida, minha alma velha não admite exceder as normas de trânsito, e somente em casa, sentados no sofá, bebíamos e começamos a escrever alguma coisa assistindo o programa Sílvio Santos aos domingos. Esse meu amigo, meu camarada, me deixava sempre com os piores versos para usar. Ele me chamava de pessimista e me dava uns tapinhas no ombro para eu me sentir melhor. Trazia, de vez enquanto, suco de laranja para refrigerar minhas ideias que, muitas vezes, até hoje mesmo, ainda são calorentas em demasia. A gente ficava nisso nos fins de semana. O resto dos dias era só estudo. Eu queria ser poeta. Ele queria ser arquiteto, mas arriscava uns versos. Uns melhores que os meus. Ele tinha umas sacadas boas sobre a vida e, enquanto poeta, era uma relíquia na simplicidade. Eu enfeitava demais os poemas, iludia muito o leitor com fábulas, metáforas, eufemismos, floreios e, por mais que negasse meu apego à estética, era sempre agredido pelos versos simples e perfeitos de meu amigo. Ele dizia coisas que habitualmente escrevo em sua memória. Antes que pensem que ele morreu, ele está vivo. Ele apenas morreu parcialmente para a poesia. Não escreve mais. Não sabe o que é compor. A ele resta só um espasmo ou outro, uma vontade dessa ou daquela, de cuspir uns versos e umas lições de vida para quem quer que passe pela rua de casa, seja vendendo pamonha ou produtos de limpeza. Tem vezes que gentileza gera mesmo gentileza.

A.E.C Souza  (via eufemizador)

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Esquecemos o que somos:
Simples de coração

Simples de Coração, Engenheiros do Hawaii (via gessingeriando)

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Resolvi que levaria uma existência de livros e silêncio.

O Jogo do Anjo (via biblioteca-decitacoes)

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Alguém precisa contar essas histórias. Quando batalhas são travadas, vencidas e perdidas, quando piratas encontram seus tesouros e dragões comem seus inimigos no café da manhã acompanhados de uma bela xícara de chá, alguém precisa contar as próprias narrativas superpostas. Existe magia nisso. Está nas pessoas que ouvem, e será diferente para cada ouvido, e vai afetá-las de formas que nunca poderão prever. Desde o mundano até mais profundo. Você pode contar uma história que passe a morar na alma de alguém, se transformei em seu sangue e propósito. Essa história vai motivar e impulsionar e quem sabe o que ela poderá fazer por causa disso, por causa das suas palavras.

O Circo da Noite - Erin Morgenstern (via tortura-e-tinta)

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